Percebo que o de ato escrever exige adentrar-me e ir a lugares desconhecidos do coração e assim transportar em palavras o que lá habita.
Emoções que às vezes nem as palavras são capazes de fazê-las claras, objetivas ou se possíveis concretas... Mas para quê ser tão concreta, se a vida é subjetiva?
Coisas dos tempos de hoje, da modernidade talvez... Falta-nos poesia, sensibilidade para ver a vida.
E o que é a poesia diante de tantos conflitos e guerras, de tantos desencontros, desgostos e desarranjos?
Ah a vida... O que é a vida?
Por vezes sofrida e outras tão belamente vivida, tão cheia de verbos, alguns ainda no infinitivo, como o cantar, amar, sentir, ser, partir, conhecer, desejar, esperar, dentre outros expressam o desejo de viver e fazer história.
Vida tão cheia de substantivos, sujeitos, adjetivos, advérbios de modo, de tempo, de local, de intensidade.
Tão cheia de silêncio...
De ausência...
De saudade!
Cheia de silêncio porque este também é resposta, e às vezes até a única resposta para as muitas perguntas que nem sabemos como elaborá-las ou para quem dirigí-las...
Silêncio que tem cheiro e sabor de Deus. E por vezes a vida nos pede para sermos humildes e silenciar, como se ela nos convidasse a experimentar o Divino. Então no silêncio esperamos, amamos, sofremos, vivemos e por fim morremos...
Vida que tem seus momentos de ausência.
Ausência daqueles que um dia o coração amou e foi capaz de eternizá-los, mas a própria vida os distanciou... Com o tempo essa ausência dolorosa, torna-se saudade, e assim sendo dói menos porque passa ser sinal de que somos capazes de amar.
Ausência também daqueles que o coração não pode conhecer e tão pouco amá-los, essa ausência solitária, também chamada de vazio, cria em nós a triste experiência de usarmos a conjunção “se” para todos os verbos, então é como se não estivesse vivendo, apenas passando a vida imaginando, ou lamentando, se isso ou aquilo tivesse acontecido hoje seria assim ou assado...
Por fim uma vida cheia de saudade, porque vida sem saudade é uma vida sem sabor... Deixar saudade é também uma virtude. Felizes os que têm essa capacidade, que não precisa de esforço, mas de simplicidade.
Saudade: complexa palavra, que de simples mesmo talvez seja somente a escrita. Mas é sentindo saudade que a gente segue, e segue porque tem que seguir. Essa é a lei da vida.
E já que a vida é um constante movimento o jeito é seguir cantando, amando, sentindo, sendo, partindo, conhecendo, desejando, esperando...
E assim vivemos.
Conjugando verbos.
Victor Hugo Martins
27/12/2011
terça-feira, 3 de julho de 2012
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Um Ano
Deparo-me com uma folha em branco ainda na tela do computador e diante dela não sei por onde começar. Respiro!... Penso!... Reflito!... Lá de fora, pela janela ouço o barulho dos carros e vejo alguns poucos raios de sol... Dias atrás chovia e o sol estava encoberto de nuvens carregadas, a brisa da manhã era fria e não havia cantos de pássaros, apenas o silêncio de uma cidade que ainda adormecia.
A natureza nos ensina em sua constante metamorfose que a vida também é assim... Um dia nuvens carregadas e um tempo sombrio, noutro ela se renova com o sol que nasce trazendo consigo o desejo e a esperança de um bom dia...
Há um ano despedíamos da Andreza, a amiga e menina do sorriso largo que nos deixou com uma enorme saudade... Durante este um ano de ausência muito sofremos e aprendemos. Perder quem amamos nos ensina que para amar temos apenas o hoje, o sofrimento ensina que o amanhã é incerto para o amor e para se viver...
A canção nos diz que: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã”. Quanta verdade há em uma simples e tão popular canção, que muitas vezes cantamos sem perceber o que de fato estamos pronunciando... Mas vem a vida, com seus acontecimentos imprevisíveis e crava em nosso coração essa verdade, e neste momento o que era festa e alegria transforma-se em dor, saudade, tristeza, solidão e tudo se torna noite em nossa alma...
Vinicius de Morais em um dos seus poemas diz: “Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles.
Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: ' Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!' Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar.
E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma “espiadinha” na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito.”
Acredito que a Andreza soube viver direito porque ela foi capaz de deixar em nosso coração um sentimento de saudade e a certeza de que o convívio, mesmo sendo curto, valeu, e muito a pena!
Encerro com versos da cantora Celina Borges que nos ensina a seguir sem perder a esperança e acreditando que “Posso, tudo posso Naquele que me fortalece... E mesmo quando a visão se turva e o coração só chora, mais na alma a certeza da vitória... Eu vou sofrendo, mas seguindo enquanto tantos não entendem vou cantando minha história, profetizando que eu posso, tudo posso... em Jesus!”
sábado, 28 de abril de 2012
Aprendendo a Ser
Sou feito de pequenos instantes e de grandes emoções, sou um pouco de quem soma e divide sua vida com a minha, sou também tristeza e solidão disfarçada em um sorriso largo, dúvida constante e certeza de quem segue na esperança, sou passo a caminho que segue fazendo o seu próprio caminhar...
Sou? ... ... ...
Estou sendo, porque assim vou aprendendo a ser e construo o que sou. A expressão “eu sou” por vezes soa como algo pronto, uma obra acabada, no entanto sigo me (re) construindo, me (re) fazendo a cada dia, buscando fazer de cada experiência um aprendizado, ou um reaprendizado, e assim a vida me ensina a seguir... Sempre sendo para aprender a ser! Novamente o aprendendo a ser... Redundância ou proposital?...
(...)
Continuo a escrever, tecendo em palavras o que hoje sou, ou estou sendo, e na certeza de que há muito para ser lapidado vou seguindo sem deixar de viver, porque há quem se perde na busca, ou na necessidade de ser, esquecendo-se que no caminho também há vida para se viver, e quando não se vive o percurso antes de poder dizer o tão almejado “eu sou”, o resultado esperado pode não sair como se esperava, portanto, sendo eu quem hoje sou, decido apenas pelo o que mais gosto de fazer:
Continuo a escrever, tecendo em palavras o que hoje sou, ou estou sendo, e na certeza de que há muito para ser lapidado vou seguindo sem deixar de viver, porque há quem se perde na busca, ou na necessidade de ser, esquecendo-se que no caminho também há vida para se viver, e quando não se vive o percurso antes de poder dizer o tão almejado “eu sou”, o resultado esperado pode não sair como se esperava, portanto, sendo eu quem hoje sou, decido apenas pelo o que mais gosto de fazer:
(...)
Viver!
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Levando a vida leve
Tem coisas na vida da gente que oscilam de tal forma que nos deixam desconcertados sem saber quem somos ou se conhecemos de fato as pessoas com as quais convivemos.
Taí, pessoas que oscilam o tempo todo em seus sentimentos, emoções, personalidade se tornam pessoas desconcertantes porque sempre nos deixarão uma dúvida de quem realmente são. Lógico que também não dá para ser o tempo todo a alegria em pessoa, como também não dá para ser o mal-humor de corpo e alma... O fato é que um pouco de sinceridade e do que, aqui chamarei de verdade não faz mal a ninguém, isso porque a verdade só tem uma cara, um jeito de ser, um só sorriso...
Mas às vezes também é bom sermos desconcertados porque desperta em nós questionamentos, e quando nos questionamos, ou questionamos o mundo e a integridade das pessoas em nossa volta é sinal de que não somos absolutos em tudo. Não dá para fechar em nosso “mundinho” pensando ser o dono da verdade... A verdade não nos aprisiona em nosso mundo, em nossa pequenez, ela nos dá asas que nos faz ir muito além do que pensávamos ser o limite...A vida por vezes nos pede e nos coloca em situações assim, e o pior é que ela não manda um e-mail avisando qual o dia ou qual a hora iremos encarar tais realidades, ela simplesmente vem como um ladrão... Aí então nos perguntamos se a vida é ruim, mas eu que não sou bobo deixarei que você mesmo (a) responda essa questão. Encara essa como dever de casa...
Só que sei que eu adoro viver! E trago comigo a certeza de que vida é bonita para aqueles que não têm vergonha de ser feliz e o que me deixa com mais felicidade ainda (ou diria esperança?) é saber que ela (a vida) pode ser bem melhor... E será!
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Sobre o amor, etc
Dedico essa publicação aos amigos que estão fisicamente distantes no dia de hoje, em especial aos que se encontram no Pará, mas escrevo também por e para aqueles que estão em São Paulo, Santa Catarina, em Belo Horizonte, Juiz de Fora, João Monlevade, Caratinga, Rio de Janeiro, Ouro Preto, Viçosa, Londres e em outros lugares por este mundão afora...
Na verdade quando li “Sobre o amor etc” percebi que muita coisa da qual Rubem Braga falava nesta crônica era verdade e por vezes vivenciava algumas dessas até então verdades...
Entendi que para a amizade existir é preciso sim que haja um marco, tal como nossas férias de julho ou os nossos acampamentos, mas compreendi também que não podíamos (e nem podemos) viver apenas deste passado. Embora a saudade insista em deixá-lo gravado em nossa memória com os seus cheiros, sabores, beijos, abraços, rodas de violão, nossas conversas e brincadeiras no escritório e na rua de cima, etc há uma grande necessidade de irmos além dessas doces lembranças, afinal a vida seguiu e nós mudamos também com ela...
Questionei também algumas partes dessa crônica porque amizade verdadeira como diz Willian Shaskpeare continuam a crescer mesmo a longas distâncias e acredito que a receita para que isso aconteça seja viver uma busca intensa pela sinceridade e a lealdade, e para viver essas virtudes, assim como a amizade, não precisa estar fisicamente presente, basta estar no coração e quando isso acontece os dois crescem juntos, planejam suas vidas, partilham seus sonhos e ainda por cima encontram tempo para olharem as fotografias antigas de quando ainda eram “magrinhos” e sem tantas responsabilidades, porém sabem que alguma coisa mudou e que eles, como por conseqüência, foram lapidados por este tempo.Transcrevo abaixo partes da crônica da qual falo nesta postagem e encerro desejando um forte abraço a todos os amigos de longe e de perto, e a todos que por ora lêem este blog.
Reforço que amigos são para vida toda!
Amigavelmente,
Victor Hugo Martins
SOBRE O AMOR, ETC
Dizem que o mundo está cada vez menor.
É tão perto do Rio a Paris! Assim é na verdade, mas acontece que raramente vamos sequer a Niterói. E alguma coisa, talvez a idade, alonga nossas distâncias sentimentais.
Na verdade há amigos espalhados pelo mundo. Antigamente era fácil pensar que a vida era algo muito móvel, e oferecia uma perspectiva infinita e nos sentíamos contentes achando que um belo dia estaríamos todos reunidos em volta de uma farta mesa e nos abraçaríamos e muitos se poriam a cantar e a beber e então tudo seria bom. Agora sabemos que jamais voltaremos e estar juntos, pois quando estivermos juntos perceberemos que já somos outros e estamos separados pelo tempo perdido na distância. Cada um de nós terá incorporado em si mesmo o tempo da ausência. Poderemos falar, falar, para nos correspondermos por cima dessa muralha dupla, mas não estaremos juntos, seremos duas outras pessoas, talvez por este motivo, melancólicas, talvez nem isso...
... Também suprimimos a amizade. É horrível levar as coisas a fundo: a vida é de sua própria natureza leviana e tonta. O amigo que procura manter suas amizades distantes e manda longas cartas sentimentais tem sempre um ar de naufrago fazendo um apelo. Naufragamos a todo instante no mar bobo do tempo e do espaço, entre as ondas de coisas e sentimentos de todo dia...
... Assim o amigo que volta de longe vem rico de muitas coisas e sua conversa é prodigiosa de riqueza, nós também despejamos nosso saco de emoções e novidades, mas para um sentir a mão do outro precisam se agarrar ambos a qualquer velha besteira: você se lembra daquela tarde em que tomamos cachaça num café que tinha naquela rua e estava lá uma loura que dizia, etc, etc. Então, não se trata mais de amizade, porém de necrológio.
Sentimos perfeitamente que estamos falando de dois outros sujeitos, que por sinal já faleceram – e eram nós. No amor isso é mais pungente. De onde concluireis comigo que o melhor é não amar, porém aqui, para dar fim a tanta amarga tolice, aqui e ora vos direi a frase antiga, que é melhor não viver. No que não convém pensar muito, pois a vida curta é, enquanto pensamos, elas se vai, e finda.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
"Amizade é o amor que nunca morre!"
“Não quero mais me ver chorar... eu só preciso te dizer: que sozinho e sem você eu tive medo...”.
| Amanhecer da cidade de Antônio Dias |
Faz tempo que não escrevo... Escrevia com certa freqüência quando trocava cartas com os amigos do Vale do Aço, mas isso ficou pra trás já faz um tempo, vale lembrar que guardo todas elas e quando a saudade bate recorro à minha caixa e as leio...
São tantos "baixeiros" que hoje me fazem rir de um jeito diferente, um sorriso de cumplicidade que só quem viveu tais fatos sabe bem o que é... Cartas onde um “ronco do estômago” não era simplesmente a sensação de fome... Era muito mais que fome... O que é de verdade? Só quem viveu sabe bem do que se trata, por essa razão que tais cartas com suas histórias e mais ainda os seus personagens são importantes para mim.
| Passeio de bicicleta |
Espero que além de companheiro de dança eu tenha sido também amigo... Sinto tanto sua falta! Nunca me imaginava carente como me vejo às vezes... É um sentimento estranho que estou ainda aprendendo a conviver...
Mas percebo que o preço do amor é perdoar infinitamente e às vezes perdoar sem ao menos a pessoa saber que te magoou... Confesso que senti (sinto) falta de ombro, de colo amigo, de silêncio... É tudo tão estranho, percebo que hoje há um sentimento que até então não tinha vivenciado: carência.
Mas sei bem que grande parte dessa carência é fruto de um egoísmo ridículo que preciso controlar para não abalar o que solidifiquei até hoje... Espero aprender rápido a conviver com essa ausência física, porque esquecê-la tenho certeza que será impossível... Encerro com a canção que agora dou “ctrl c” e “ctrl v” abaixo:
“Abençoa Senhor meus amigos e minhas amigas e dá-lhes a paz!
Aqueles a quem ajudei que os ajude mais! Aqueles a quem magoei que eu não magoe mais...
Saibamos deixar um nos outros uma saudade que faz bem. Abençoa Senhor meus amigos e minhas amigas Amém!
Aves que voam em bando. Verso que segue verso nas rimas da vida.
Barcos que singram os mares até separados, mas sabem o porto aonde vão se encontrar.
São assim os amigos que a vida me deu. Meus amigos, minhas amigas e eu.
Gente que sonha junto. Gente que brinca e briga e se zanga e perdoa.
Um sentimento forte mais forte que a morte nos faz ser amigos no riso e na dor.
Vidas que fluem juntas, rios que não confluem, mas vão paralelos.
Aves que voam juntas e sabem que um dia por força da vida não mais se verão.
Resta apenas o sonho que a gente viveu. Meus amigos, minhas amigas e eu”.
Victor Hugo Martins
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